14.3.11

Enquanto não me tirarem o pio, não me calo #3


Enviado para:

Gabinete do 1º Ministro -pm@pm.gov.pt
Censos 2011 - censos2011teste@ine.pt
Tribunal do Trabalho de Lisboa - correio@lisboa.mptt.mj.pt

Exmos. Senhores,

logo à cabeça e depois de ver o anexo que vos envio, tenho de perguntar o seguinte: que falta de vergonha é esta??!

Então na questão nº 32 dos Censos 2011, informam que o inquirido que trabalha a recibos verdes, mas com um local de trabalho fixo, dentro de uma empresa, com subordinação hierárquica e um horário de trabalho definido, ou seja, de forma ilegal, deve preencher "trabalhador por conta de outrem", como se contratado como deve ser, com os benefícios/obrigações que daí resultam?

Mas andamos a brincar? Não leiam esta questão com fúria ou ironia, é que eu quero mesmo saber se é para brincar. É que se for, também vou responder aos Censos 2011 com ceras de cores e responder da mesma forma, a brincar.

Então o patrão usa e abusa do colaborador, age em desacordo com a lei, e as pessoas têm de assinalar a cruz que indica exactamente o contrário? Para quê? Para ficar bonito nas estatísticas do governo? E colocar hipótese a uma cruz que dissesse "trabalhador por conta de outrem, em regime full time, com local fixo, subordinação hierárquica e horário definido, a recibos verdes"? Isso merecia o meu respeito. Isso é que era de coragem, para saber quantos são! A estatística seria certamente interessante.

Dito isto, serve este e-mail para expressar o meu desagrado e para informar que tratarei de me recusar a preencher a questão nº 32 dos Censos 2011, pelo desrespeito que representa para muita gente, se bem que o que mereciam era que não respondesse de todo. Também, informo que darei uso aos meios de comunicação para divulgar este e-mail, de forma a que quem entender, proceda como eu.

Assina uma cidadã que não sofre dos males de trabalhar a recibos verdes, mas sente repulsa por um país que mais parece uma cadeira: tem pernas mas não anda!

25 comentários:

  1. Preenchi também hoje os meus inquéritos do Censos 2011 e veio-me à ideia a mesma questão, parece que estão a querer ignorar esta farpa na nossa sociedade... E depois vêm dizer que com isto querer tirar a fotografia do país... Sinceramente!...

    ResponderEliminar
  2. Boa malha! Realmente é preciso ter lata!!

    ResponderEliminar
  3. Uma ilegalidade é cometida e um organismo nacional como o INE subscreve essa ilegalidade escarrapachando-a à vista de todos e obrigando-nos a todos a compactuar com isso. Realmente assim os números são menos "dolorosos". Uma vergonha!

    ResponderEliminar
  4. É, de facto, uma vergonha.

    Dulce fernandes

    ResponderEliminar
  5. Ainda não olhei para esse questionário, mas como trabalho a recibos verdes se calhar também não respondo. Ainda bem que isto foi publicado e que lhe mandou um e-mail a reclamar.

    ResponderEliminar
  6. Ainda não preenchi o questionário nem o li, mas assino por baixo do seu texto.
    Acho que para além de enviar para o gabinete no 1.º ministro, deveria tb ser enviado para a comunicação social, para a comissão europeia ou tribunal dos direitos humanos...
    Esta situação é mais do que ridícula. Se não se responder dá multa, ser influenciado para responder mentiras tb devia dar!

    ResponderEliminar
  7. Uma VERGONHA!!! Continuam a querer obrigar-nos a enfiar a cabeça na areia!
    Somos um País que vive na ilusão, na aparência e mais uma vez estes "Censos" que deveriam ser uma forma de estudo para refectir a realidade, servem para fazer uma "cosmética estatistica" ao real estado deste País!!!

    ResponderEliminar
  8. Ainda não tive acesso aos impressos. desconhecia esta aberração.
    Eles não querem é que os recibos verdes contem para os censos. Dará certamente uma informação falaciosa no final.
    Uma vergonha

    ResponderEliminar
  9. Assim é que se fala!!! Para verem de uma vez por todas que os Portugueses não são ignorantes como nos fazem passar!!! A LUTA CONTINUA!!!

    ResponderEliminar
  10. Serei a única a achar que esta questão deve ser tratada mesmo assim? É que perante a lei, se o trabalhador está nessas condições, tem um verdadeiro contrato de trabalho, coisa que nenhum tribunal o negará.

    ResponderEliminar
  11. é realmente uma vergonha, pá. eu poria opção "outros" e à frente acrescentava recibos verdes. agora por conta de outrém nunca, tal não é verdade. e tb não deixava em branco, que é para se conhecer a real situação, pois assim parece que não se trabalha.
    Alexandra, a questão é que o trabalhador NÃO está nessas condições, NAO tem um verdadeiro contrato de trabalho. Desconta balúrdios por conta própria. os recibos verdes não foram feitos para as empresas fugirem ao fisco nem à seg social.

    ResponderEliminar
  12. É por estas e por outras que as estatísticas do governo nunca batem certo, arranjam sempre maneiras de dar a volta ao que não lhes interessa.

    Agradeço-lhe a sua intervenção, sempre educada, cívica e justa.

    Um beijinho

    ResponderEliminar
  13. Alexandra, desse ponto de vista tem razão, nenhum tribunal o negará. A questão é que um trabalhador nestas condições não tem as regalias que um vínculo laboral oferece: subsídio de férias, Natal, direito a baixa,indemnização em caso de despedimento. E numa época em que se fala tanto em recibos verdes, o Census devia ter mais bom senso.

    Dulce Fernandes

    ResponderEliminar
  14. Faltou enviar para a Inspecção do Trabalho.

    gmtss@mtss.gov.pt

    Beijinhos

    ResponderEliminar
  15. Simples, nao se responde a essa questão, ou coloca-se uma nova opção.

    ResponderEliminar
  16. Sempre estás melhor do que eu que vivo onde judas perdeu as sandálias e ainda não tive direito a censos.. Pergunto-me se chegarão lá! Afinal onde andam os desempregados que queriam ganhar algum dinheiro e podiam andar a distribuir os censos? Já para não falar daqueles que andam nos censos mas não estão para se chatear, largam os papéis nas casas das pessoas sem muitas explicações e dizem: "preencha na net"...

    ResponderEliminar
  17. Eu peço desculpa, mas essa questão do descontam muito é meio falaciosa:

    Tenho um amigo meu que estava a recibos verdes até recentemente (nesses falsos que referem, ou seja tipo contrato), e ele como descontava muito, vai receber agora de irs mais do que o meu subsidio de natal e de férias juntos...

    Por isso não percebo bem o drama....

    ResponderEliminar
  18. Segui o teu exemplo.

    http://oversized-bag.blogspot.com/2011/03/porque-eu-tambem-tenho-pio.html

    ResponderEliminar
  19. ainda não tinha começado a preencher, mas vou seguir o exemplo!

    ResponderEliminar
  20. Alexandra,a questão, para além do que o Anónimo já referiu, é que os censos deveriam servir como reflexo da situação real dos cidadãos. Se a pessoa trabalha a recibos verdes, mas não é realmente trabalhador por conta própria, deveria existir uma opção especifica para esse efeito e não um manobra de disfarce da realidade como fizeram ...

    ResponderEliminar
  21. Eu percebo tudo isso e concordo que é discutível uma opção própria mas a questão não deixa de ser controvertida.

    A verdade é que essas situações apenas existem porque o trabalhador assim o permite. Tomando acção para "legalizar", o empregador está de mãos atadas e nada pode fazer contra (pode contestar mas na esmagadora maioria dos casos sem sucesso). Depois como fica? O trabalhador vê-se ressarcido de todas as férias, subsídios e outras regalias que não auferiu e só pode ser despedido dentro das situações previstas, com processo disciplinar e tudo o mais. (Nada a ver com a situação de prestador de serviços.)

    Mais, existe toda uma rede de informação, na IGT têm disponíveis juristas para informar adequadamente, o processo pode ser acompanhado pelo ministério público e isento de custas para o trabalhador, etc, etc.

    Choca-me mais esta coisa muito portuguesa de reclamar para o ar e existir uma incapacidade total de agir, mesmo quando em nosso proveito.

    A legislação não é perfeita mas é muito boa, sobretudo em comparação com outros países. Existem apenas dois grandes factores que a fazem falhar: primeiro, a inércia dos trabalhadores; segundo, a fiscalização. Todavia, se não existisse a primeira, a segunda nem se colocaria.

    E digo isto, por experiência profissional própria. Repito, choca-me muito esta tendência de reclamar para o ar, quando não é nada difícil assegurar os nossos direitos. Claro está, são poucos os que reclamam e é por isso que as entidades patronais abusam. Não têm muito a perder.

    ResponderEliminar
  22. Eu pensei preencher "trabalhador por conta própria ou isolado". Esta resposta não reflecte que estou a recibos verdes?

    ResponderEliminar
  23. Oh vá lá... como se o INE não tivesse acesso ao número de pessoas a recibos verdes... não tem acesso é aos tão afamados "falsos" recibos verdes. A mim o que me parece é que estão a olhar para esta questão de uma forma superficial.
    Se o INE comparar o número de pessoas que nos censos responde "trabalhador por conta de outrém" ao número de pessoas a recibos verdes registadas nas finanças/ S.S. e ao número pessoas por contra de outrem na S.S., que número obtém? Os falsos recibos verdes.

    Quanto ao não responderem, esqueçam, se não estiver completo o recenseador responde, nem que tenha de passar a limpo novos questionários.

    ResponderEliminar

Arquivo do blogue