28.7.14

Vestidos a sério e com rigor

Nunca vou esquecer o dia em Los Angeles à noite, eu e o PAM íamos à conversa a pé, andámos, andámos, passámos pelo hotel sem dar conta e acabámos na escuridão da noite num bairro que começámos a achar estranho. Estávamos perdidos no típico bairro onde há lutas de gangs, aquilo não tinha um ar famoso.

Do outro lado da estrada, de um quartel dos bombeiros, atravessou um bombeiro do tipo “fui o mês de Agosto no último calendário Pirelli” a perguntar se precisávamos de ajuda. Entrámos no quartel, ali estivemos horas à conversa e conhecemos a equipa. Naquela terra, é evidente que ser bombeiro é uma profissão de valor.

No fim, já se fazia tarde, disseram que nos levavam de volta ao hotel: “get in, we’ll give a ride!”. Olhei para o gigantesco ao meu lado: “are you serious???”. Ali estava o sonho de qualquer menino e nós, prestes a concretizá-lo: ir dentro daqueles gigantes vermelhos e reluzentes, com escadas e sirenes ensurdecedoras. À porta do hotel, saímos de dentro da barriga daquele gigante espectacular. Ficou uma história para nunca mais esquecer.

Quando me contactaram para saber se estaria disposta a ajudar os bombeiros portugueses, aceitei de imediato. Choca-me a forma como os bombeiros são vistos em Portugal. Penso que ninguém lhes condena a existência, sabem do seu valor, mas também não lhes prestam grande atenção. Os meses em que têm lugar no pódio, geralmente vão de Junho ao fim de Agosto. Depois é um pouco como se desaparecessem do mapa. Na comunicação social, em poucos meses, passam de heróis sofridos a esquecidos.

Impressionam-me as diferenças do que é ser bombeiro em Portugal e nos EUA, uma realidade que tive oportunidade de conhecer. Nos EUA os bombeiros têm equipamento a sério, recebem um ordenado a sério, são tratados de uma forma espectacular e cheia de respeito. Por cá temos voluntários que dão o melhor que têm: a coragem, a pele, a vida e chegam a ter de fazer peditórios por comida e água quando um quartel está exausto de combater fogos e salvar casas que não lhes pertencem.

Depois da tragédia que foi para os bombeiros o verão de 2013, o Banco BiG teve a extraordinária ideia de criar uma campanha e dotar os bombeiros de equipamento a sério, daqueles que cumprem normas e os protegem. Tantas vezes os bombeiros combatem fogos com o que têm, até com roupas que na verdade são inflamáveis!

“Vamos proteger quem nos protege” é o slogan da campanha de solidariedade para recolha de fundos que vai permitir dar ao maior número possível de bombeiros os equipamentos individuais de segurança de que precisam. Para esta causa, podem fazer doações para a conta indicada, comprometendo-se o Banco BiG a dobrar o montante depositado por cada português:

NIB 0061 0050 0057 2997 5002 1

Se não pode fazer uma transferência, se reconhece que os bombeiros portugueses são de valor, faça uma chamada:

760 782 000

Se todos os portugueses fizerem uma chamada, o verão destes bombeiros estará ganho com equipamento que os vai proteger e deixar as famílias um bocadinho mais descansadas.

Pense bem: e se um dia precisar dos nossos bombeiros?


Mais informação sobre esta campanha, aqui.






27.7.14

In vino veritas?



Ontem tive um churrasco com a família e o PAM pôs logo a adega a funcionar. A meio da noite, com um garfo de grelha numa mão e uma bifana na outra, achou que era boa ideia pedir autorização à minha mãe para me desposar. Não brinquem, não sei a que propósito, mas ele até levou um joelho ao chão de relva.

A minha família não é parva e começaram logo a ditar as condições: a minha mãe também queria um anel, uma tia disse que também tinha direito a um cachucho de brilhantes, pediram viagens, e até o meu cunhado já puxava a brasa à sua bifana com a sua lista de pedidos. O dote era valente, coisa para um príncipe do petróleo. Ele desistiu, a família não era gente séria.

Com a brincadeira, fiz uma piada do episódio no meu facebook pessoal. Hoje quando acordei tinha mensagens de parabéns de alguns amigos no telemóvel. O desejo é tal que já nem distinguem um alcoólico de um homem honesto.

Até o Miguel, meu treinador, teve a bondade de comentar para dizer que nesse dia, o da boda, me deixava fazer uma refeição livre. Magnânimos, estes meus amigos!

Há pessoas que acreditam mesmo que um dia ainda vou casar. Queridos!

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